Vida

Aos 3 anos.

Evando Nascimento é escritor, ensaísta, artista visual & professor universitário. Seu trabalho se move principalmente entre Literatura, Filosofia & Artes. É autor dos seguintes livros de ficção: Linha a linha: Desenhos-escritos, Kotter, 2022. Diários de Vincent: impressões do estrangeiro, Circuito, 2021. A desordem das inscrições (Contracantos), 7Letras, 2019. Cantos profanos (contos), Globo / Biblioteca Azul, 2014, semifinalista do Prêmio Oceanos–Itaú Cultural 2015. Cantos do mundo (contos), Record, 2011, finalista do Prêmio Portugal Telecom 2012. Retrato desnatural (diários 2004 – 2007), Record, 2008, semifinalista do Prêmio Portugal Telecom 2009.

Publicou também, entre outros, os seguintes livros de ensaios:  O pensamento vegetal: a literatura e as plantas, Civilização Brasileira, 2021. Derrida e a literatura: “notas” de filosofia e literatura nos textos da desconstrução, 3ª. ed., É Realizações, 2015 (1ª. e 2ª. ed. EdUFF, 1999 e 2001. Tradução argentina por raúl rodríguez freire, La Cebra, 2021). Clarice Lispector: uma literatura pensante, Civilização Brasileira, 2012, Ângulos: literatura & outras artes, Argos / EdUFJF, 2002.

Atualmente, mora no Rio de Janeiro, dedicando-se à escrita de ficção e de ensaios, bem como à realização de trabalhos visuais. Sua atividade literária e ensaística tem tido amplo reconhecimento por parte de críticos como Italo Moriconi, Celia Pedrosa, José Castello, Maria Esther Maciel, Silviano Santiago, Euridice Figueiredo, João Cezar de Castro Rocha e Karl Erik Schøllhammer, entre outros. Igualmente, escritores como Antonio Cicero, Luiz Ruffato, Sérgio Sant’Anna, Armando Freitas Filho e Alberto Mussa fizeram declarações extremamente favoráveis. Foi considerado por Leyla Perrone-Moisés, em artigo no suplemento “Ilustríssima”, da Folha de S. Paulo, como um dos escritores que, no Brasil, fazem uma literatura exigente.

Nasceu em 08 de agosto de 1960, em Camacã – Bahia, perto de Itabuna e de Ilhéus, na região do cacau. A cidade tem o nome de uma tribo indígena representada por Jean-Baptiste Debret no século XIX e hoje considerada extinta. Aos 14 anos, mudou-se com os irmãos para Salvador, onde cursou o ensino médio no excelente Instituto Social da Bahia. Fez a graduação no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Em 1983, foi para o Rio realizar o Mestrado na Pontifícia Universidade Católica e, em seguida, o Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Entre 1991 e 1993, recebeu uma bolsa-sanduíche do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para estudar em Paris como aluno de Jacques Derrida, na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), onde apresentou trabalho, e de Sarah Kofman, na Sorbonne. Foi nesse período que decidiu escrever a tese que se tornaria o livro Derrida e a literatura (3ª. ed., É Realizações), Em seguida, lecionou entre 1993 e 1996 literatura e cultura brasileiras na Université Stendhal, de Grenoble, primeiro como Leitor, depois como Attaché Temporaire d’Enseignement et de Recherche (A.T.E.R.).

Ao retornar ao Brasil, ensinou e pesquisou na Universidade Federal Fluminense, num estágio como recém-doutor, até 1997. Foi professor-visitante na Universidade Federal do Espírito Santo em 1998 e 1999. Tornou-se professor efetivo na Universidade Federal de Juiz de Fora em 2000, por onde se aposentou. Realizou em agosto de 2004, na Maison de France, o “Colóquio Internacional Jacques Derrida: Pensar a Desconstrução”,  numa parceria entre a UFJF e o Consulado da França no Rio de Janeiro. Derrida proferiu a conferência de abertura, sendo esta sua última intervenção pública.

Por esse motivo, deu um testemunho para a Biografia do pensador, publicada por Benoît Peeters (Flammarion, 2010;  tradução brasileira de André Telles, com  prefácio, notas e revisão técnica de

Evando Nascimento, Civilização Brasileira, 2013). Não se considera seu seguidor ou discípulo, apenas um leitor especial e atento aos textos das desconstruções ou, como prefere atualmente dizer, das disseminações.

Realizou, em 2007, um pós-doutorado sobre as relações entre o pensamento de Jacques Derrida e o de Walter Benjamin, na Universidade Livre de Berlim, sob a supervisão de Winfried Menninghaus, com Bolsa da Fapemig e do DAAD alemão. Como escritor e como professor, participou de mesas-redondas, ministrou cursos e palestras, em diversas instituições nacionais e internacionais, entre elas a UFBA, a USP, a UFMG, a Universidade de Paris, A PUC de Valparaiso e a Universidade de Manchester. Tem diversos textos publicados no exterior, em inglês, francês e espanhol. Em 2016, saiu um livro seu com Derrida, reunindo ensaio introdutório, conferência e entrevistas com o pensador: La solidarité des vivants et le pardon (Paris, Hermann). 

Em 2021, foi publicada na Argentina a tradução Derrida y la literatura (ed. La Cebra), em tradução de raúl rodríguez freire, com posfácios de Ginette Michaud e de Mónica Cragnolini). Neste mesmo ano, foi publicado pelas editoras Nube Negra e Bulk o livro La literatura fuera de sí, contendo dois ensaios, um deles do crítico argentino Alberto Giordano (“Adonde va la literatura? La contemporaneidad de una institución anacrónica”) e o outro de Evando Nascimento (“Literatura en el siglo XXI: expansiones, heteronomías, desdoblamientos”, tradução raúl rodríguez freire).

Dirige a Coleção Contemporânea: Filosofia, Literatura & Artes, para a editora Record (selo Civilização Brasileira), com a participação de nomes como Antonio Cicero, Karl Erik Schøllhammer, Rosa Dias, Márcio Seligmann-Silva, Maria Esther Maciel e Paulo Henriques Britto, entre outros. Tem publicado artigos, depoimentos e resenhas nos principais suplementos culturais do Rio, de São Paulo e de outros estados. Até 2021, manteve uma coluna na cult, lusófona e cosmopolita Revista Pessoa, dirigida por Mirna Queiroz.

Em função de sua pesquisa sobre o pensamento vegetal, foi convidado, em 2021, pelo antropólogo Hermano Vianna a participar de uma curadoria coletiva para realização da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), a mais importante no Brasil, junto com Pedro Meira, professor na Universidade de Princeton, Anna Dantes, editora, e João Paulo Barreto, indígena da etnia Tukano e antropólogo. Participou também como palestrante, junto com o botânico italiano Stefano Mancuso, da mesa de abertura nessaDesde janeiro de 2015, quando teve aulas na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage do Rio de Janeiro, retomou o desenho, que praticou muito na adolescência. Tem realizado o que chama de desenhos-escritos e pinturas-escritas: híbridos de palavra e imagem visual, combinando o humano com animais, plantas & coisas. Durante a pandemia, de 2020 a 2021, compôs diversas colagens-escritas. A partir de 2022, passou a fazer objetos-escritos: caixas de fósforos em diversos tamanhos, pintadas e escritas.

Formas de lo contemporáneo: Literatura, crítica & cultura en Brasil foi uma coletânea de ensaios organizada pela pesquisadora colombiano-chilena Mary Luz Estupiñán Serrano e publicada em 2021 pela Casa de Las Américas (Cuba) e pela PUC de Valparaiso (Chile), com especialistas brasileiros e estrangeiros.

Na capa do livro, há a reprodução de um desenho-escrito de Evando Nascimento, “A Copa do Mundo não é nossa”, inicialmente publicado em seu livro de contos A desordem das inscrições.

No volume, consta ainda o ensaio do autor “La autoficción como dispositivo: alterficciones”, traduzido por Felipe Rubio Suazo e revisado pela organizadora.

Na capa do vol. 21 da Revista Culture Machine, intitulado Antropoficciones, encontra-se uma instalação sua, feita com garrafinhas de plástico, com líquido colorido, acompanhada da bandeira LGBTQIAP+. No interior do volume, há um texto seu relativo à instalação: “A civilização do plástico / O plástico da civilização: Maleabilidades”.

De 20 de outubro a 5 de dezembro, realizou a exposição de artes visuais Linha a linha: Desenhos-Escritos, na Casa de Leitura Dirce Côrtes Riedel, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, atualmente presidida por João Cezar de Castro Rocha. A curadoria foi de Marisa Flórido, professora da pós-graduação do Instituto de Artes da UERJ. O catálogo digital da exposição pode ser baixado em “Artes Visuais / Artes Escritas” neste site. O vídeo da exposição pode ser visualizado na mesma seção. Associado a essa exposição, encontra-se também o livro impresso já citado Linha a linha (ed. Kotter).

Em 2023, falou sobre O Pensamento Vegetal e outros assuntos relacionados a artes, filosofia & literatura, nas Universidades de Antioquia e EAFIT, em Medellín, Colômbia. Em novembro desse mesmo ano, foi realizado um Seminário Internacional em torno desse livro na Casa Dirce e no Instituto de Artes (ambos da UERJ). E, em dezembro, saiu El Pensamiento vegetal (ed. Mimesis), em tradução de professor universitário e ensaísta raúl rodríguez freire – o lançamento foi na PUC de Valparaiso, numa mesa-redonda com Clara Parra, Marcela Hutinel e rodríguez.

Em fevereiro de 2024, mudou-se do bairro de Botafogo, onde residiu durante catorze anos venturosos, para o vizinho bairro do Flamengo, num apartamento maior, que se transformou numa nova casateliê. Nessa morada, realizou uma série de nove pinturas em formato grande, intitulada Horizontais & Oblíquas (ver descrição e imagens na seção Artes Visuais / Artes Escritas).

Em abril deste mesmo ano, participou da Feira do Livro de Bogotá (FILBO), o maior evento literário da Colômbia. Com o título de “Leer la naturaleza”, teve o Brasil como país homenageado. Falou em mesa-redonda sobre O Pensamento vegetal, com o escritor Bernardo Carvalho, e a mediação da crítica e escritora Guiomar de Grammont.

Em 28 de agosto, participou de mesa-redonda na abertura do X Encontro Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, na UnB, a convite de Regina Dalcastagnè, com Maria Esther Maciel e mediação de Pedro Mandagará. Tema da mesa: Relações entre humanos e não humanos: plantas, animais, coisas etc.

Em 16 de outubro, participou do ciclo de conferências Teoria Francesa: O que resta, com raúl rodríguez freire, na Casa de Leitura Dirce Côrtes Riedel (UERJ), organizado por Nabil Araújo, Max Hidalgo e Oswaldo Silvestre. Falou sobre “A última viagem de Derrida”, ocorrida em agosto de 2004, no colóquio internacional Pensar a desconstrução, que organizou na Maison de France, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora. Foi a última participação de Derrida em evento. Publicou também um artigo na revista Cult, em agosto, sobre o mesmo tema. 

Em 20 de novembro, fez a conferência dos 30 anos do Doutorado em Literatura da Pontifícia Universidad Católica de Valparaíso, com o título de El Pensamineto vegetal: Relaciones entre humanos y no humanos en la literatura, las artes & la cultura.

Em janeiro de 2025, publicou Três Contos Claricianos na Revista Piauí: três histórias inspiradas em A paixão segundo G.H., “Macacos” e A Hora da estrela. Realizou conferências sobre a relação entre humanos e não humanos (plantas, animais, coisas, minerais etc.) no Programa de Pós-Graduação em Filosofia na Universidade Federal de Goiás e na Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em agosto de 2025, publicou pela editora Galileu o catálogo Arquigrafias: Ancestralidades do porvir, com reproduções de seus trabalhos lítero-visuais – textos de raúl rodríguez freire, Marisa Flórido, Amador Perez e do próprio (an)artista.

Para 2026, estão previstas, entre outras atividades, uma exposição no Centro Hélio Oiticica do Rio de Janeiro, Biblioteca é o Mundo, com curadoria de Marisa Flórido e lançamento do catálogo. Igualmente, assinou contrato com a editora Rocco para publicar um novo livro sobre Clarice Lispector, em função dos 50 anos de sua morte em 2027.

 

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Desenho do cabeçalho por Célia Ribeiro, com escrita de Evando Nascimento.